domingo, 18 de junho de 2017

De novo o Prefácio de 1857



Esclarecimentos necessários.


As minhas afirmações críticas sobre Marx e o comunismo ensejam interpretações completamente estrambóticas,provindas de quem não leu nada,de mim e do comunismo.
Com os meus estudos de pesquisador,hoje eu posso afirmar com clareza que aquilo que Marx ,Engels e Lênin(além do seus seguidores)entendiam(porque leram,se leram)por filosofia,era um amálgama de ideologia,religião,politica,panfletos e outras coisas que tais.
Por isso Marx se voltou para o mundo antigo,onde a filosofia era “ profissional”.Contudo ele só conheceu um filósofo deste jaez na sua contemporaneidade:Hegel.
Eu sou muito crítico com Husserl e Heidegger,mas não há como negar que estes  dois,sobretudo este último,” reprofissionalizaram” a disciplina,livrando-a dos véus místicos,da discussão bizantina sobre “ alma/corpo”(embora ela possa ser recuperada pelo conceito que ambos utilizam ,”lebensvelt”[mundo da vida]{esfera da reprodução simbólica}).
O que os autores principais do comunismo moderno leram foi algo muito diferente e confundiram o transcendente com o transcendental.A experiência humana e o que está fora dela,respectivamente.
Na crítica que eu fiz há muito tempo ao “ Prefácio”  me referi ao erro de Lênin,expresso em letras garrafais em “ Materialismo e Empirocriticismo”,de opor as idéias à matéria.
Em 1912 exilado na Suíça e tendo que estudar,Lênin leu outro livro discutível “ A Ciência da Lógica” de Hegel,no qual a dialética é exposta de maneira completa.Ele afirmou que até então não entendera,como a maioria dos revolucionários,o que era a dialética.Ora o livro “Materialismo e Empirocriticismo” fora escrito e publicado em 1909,logo já tinha caducado!
Eu faço uma mea-culpa:sempre critiquei Lênin por não ter lido Kant e mantenho em parte as suas razões,mas de certo modo se  a estética transcendental separa o filósofo alemão de  Berkeley,a intenção de Kant é de opor idéias metafísicas e transcendentais ao mundo real da experiência(já que Kant não falava em materialismo).
O que Lênin ataca é o neokantismo,o criticismo embutido em sua filosofia,mas aí também o seu erro ao fazer esta oposição ocorre e poderia ter sido evitado se tivesse atentado mais para a dialética,pois as idéias e a matéria se relacionam continuamente na experiência humana.Isso se Lênin tivesse feito o mesmo que Marx:colocado a dialética de Hegel sobre o chão e não deixado de cabeça para baixo.Hegel falava das idéias como criadoras do mundo e não é (só)isto,mas ação, o trabalho, humanos.
A constatação de Marx em 1857,de que o Ser social gera a consciência social é meramente tautológica,porque é óbvio,tano individualmente,como coletivamente,que só há consciência quando há “individuos concretos vivos”(Ideologia Alemã,parte de Feuerbach),mas isto não invalida o “ cogito ergo sum “ de Descartes,porque o existir humano se dá pela consciência e autoconsciência,não havendo necessidade de uma ciência “ materialista histórica”,que dê conta total das origens do Ser Social como condição de uma existência plena,que só é possível,para ele,não só pela constatação desta tautologia,mas pela revolução ,que libera este (novo) homem do processo de alienação em que está inserido.
Entre o homem alienado e o libertado,o que fica?Uma existência inautêntica?Sartre se confundiu muito aqui ao associar o existencialismo ao marxismo,confiando na proximidade da revolução.A verdade é que antes da utopia existe autenticidade e até felicidade,o que é inadmissível para um anti-burguês qualquer.
A existência humana se define pela satisfação das necessidades humanas,mas estas não são sua razão suficiente,pois os valores,as idéias,os sentimentos continuam autônomos a exigir atenção,porque o homem,além de tudo,não é (mais)animal.
É a música dos Titãs:” A gente não quer só só comida,mas diversão,cultura e arte”.

domingo, 5 de março de 2017

Em torno ao estado



Com isso eu não quero concordar com os anarquistas ,no sentido de destruir o estado com ações diretas,mas eu apoio a denúncia quanto ao falacioso e místico papel do estado.Desde Rousseau que se  busca a representação no estado,mas isto não acontece ,e de formas complexas(aparelhos ideológicos do estado[midia])as pessoas são mantidas numa inconsciente convicção de representação.
Não se há de negar que de Rousseau para cá,pelo menos esta luta tem se ampliado,mas de forma claramente insuficiente.
O que eu proponho é encarar o estado como inevitabilidade e recuperar uma mediação,problemática,também,mas mais real e capaz de situar o cidadão no seu cotidiano,que é a nação.
É lógico que marxistas tradicionais vão me acusar de querer fazer a conciliação de classe,mas eu expliquei o que significa conciliação de classe e o que significa em termos científicos considerar as classes separadas umas das outras,afrontando sociologia ,que mostra que a classe não existe por si.
Historicamente eu já mostrei também que os movimentos da História não são feitos só de luta de classes,mas de colaboração ou,pelo menos,que o conceito de luta de classes é mais amplo,tendo no seu interior uma realidade complexa de ataque e defesa permanentes de interesses e objetivos.
O Prefácio de 1857 me parece totalmente ultrapassado.O esquema de ruptura entre a forma e o conteúdo por causa do incremento das forças produtivas não tem sentido.
Como encaixar este esquema(teórico) na passagem da antiguidade ao feudalismo,em que as forças produtivas decairam drasticamente.Foi isso que gerou a mudança do mundo antigo até o feudalismo e o senhorio?Que revolução houve no sentido do “ Prefácio”.
Perry Anderson em seu livro “ Passagens da Antiguidade ao feudalismo” mostra como os arranjos entre classes ou grupos(já que o mundo estava em frangalhos)predominava,jogando aí um papel decisivo a Igreja Católica.
No livro que dá continuidade a este, “ Linhagens do estado Absolutista”,o mesmo autor mostra como o estado(-nação) moderno foi feito à base de extorsão das classes menos favorecidas.
E também,ainda me lembro de meu pai stalinista me explicando,citando stalin,a natureza burguesa do conceito de nação.
Lógico que só existira nação,com todos os problemas a que me referi acima,com o capital,mas hoje esta relação burguesia/nação,reconheçamos ,não é tão direta assim e foi assimilada por estas classes menos abonadas que exigem o reconhecimento dos seus direitos.
Estranhamente  os radicais de esquerda,com o Capital de Marx na mão, buscam ,contrariamente às concepções do teórico,trabalhar a relação com o estado porque não suportam o conceito burguês de nação,mas na verdade,inspirados pela URSS e despreparados teoricamente como são,querem as benesses do estado e não as dificuldades do cotidiano nacional,mas eu entendo que é aí que se podem carrear os recursos necessários para uma democracia a mais próxima do ideal.
Se no passado a extorsão dos mais pobres,juntamente com o capital da burguesia,construiu a nação,hoje,há uma alvissareira inversão:as classes trabalhadoras são mais numerosas e fala-se em exigir mais tributos dos ricos.Em alguns países estes tributos sobre os ricos são já realmente altos permitindo uma melhor distribuição de renda.
O esquema burguesia/proletariado já acabou há muito tempo,mas as viúvas do estado soviético continuam no seu misticismo,só vendo a realidade do estado.
O equilibrio entre as classes,média,operária,classes altas,estado e nação é que pode,por homogeneidade,criar as condições de progresso,enquanto a utopia não vem.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

A medida do diletantismo no marxismo:e a sua grandeza.



O problema do estado é o que define ,como já dissemos,o grau de conhecimento essencial daquele que estudou o marxismo daquele que o transmite de ouvido.O Estado cria uma esfera  mistica pela qual se pode medir a sociedade.Até mesmo a chamada “sociedade civil”,que é uma redução do termo “ burgerliche geselschaft”,sociedade civil burguesa(Hegel)é uma mediação criada para isto.Criada para dizer que quem está fora do estado não vale,que é na relação com o Estado que se mede o grau de contribuição válida do cidadão,cidadão este que só o é na relação com... Ele(com E maiúsculo).
As posturas de dissensão não são admitidas ao cidadão.O único lugar do mundo onde ,até certo ponto,um certo “ marginalismo” é  admitido são os Estados Unidos.Mas o que vale efetivamente para a concepção materialista da história é que a sociedade,como um todo,deve se ver como tal,como um todo produtivo e capaz de criar um ócio legitimo,não para alguns ,mas para todos.
Enquanto o corpo politico existe ,a postura marginal é arriscada pois pode legitimar uma forma ,ainda que tosca,de coletivismo sem regra,que perverte ainda mais a relação sociedade/estado(como ocorreu com os países socialistas[e com os militantes também]{que entenderam falta do estado(e da lei)como legitimação dos atos puros de vontade,mesmo que criminosos}).O processo de mudança deste monstro(Leviathan) conduz ao marginalsmo?Eu penso que não:conduz a um novo tipo de normativismo,entranhado na consciência dos individuos ,cujo compromisso é com este todo huamno-real,sem nenhum véu mistico.
A maioria dos doutores e dos intelectuais,principalmente ibéricos, acredita que a  sua posição é superiormente legitima,na medida em que a competição para se chegar a ela é legitima,mas milhões de pessoas mariginalizadas pelo estado(burguês[feudal]{escravocrata} o desmentem.
Somente numa sociedade total de oprotunidades reais,não mensuradas pela parte e sim pelo todo social é que se pode medir “ superioridade”,se ela,como categoria ou cocneito existe.
Neste sentido é que apesar de entender que o crescimento do estado na URSS é anti-marxista ou anti-comunista,no sentido geral deste último conceito e defendê-lo torna o militante num diletante(descolado do real)a discussão anarco/marxista da supressão ou dissensão com o Estado ainda é valida e é muito necessário haver pesquisadores e intelectuais  independentes,como Astrojildo Pereira,Otávio Brandão e Olavo de Carvalho.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

A besteira do monstro




Em outros artigos,neste mesmo blog eu me referi ao erro crasso de Stalin,que permitiu a ascensão na Alemanha dos nazistas,ao considerar os social-democratas como irmãos gêmeos dos fascistas.Encontrei o momento histórico filmado e o apresento agora para vocês.


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Viram?Ele não pode ser culpado,como certos exagerados da direita aí dizem,da segunda guerra mundial,mas deu a sua contribuição inestimável com este erro crasso,que dividiu as esquerdas  e permitiu o avanço,de 1930 a 33, dos nazistas e de Hitler ao poder.