sexta-feira, 17 de julho de 2015

O marxismo revivido




Preocupado em  preparar  os  meus  novos  livros  que  sairão  em  breve,demorei  para  voltar  aqui e  continuar  os  estudos  sobre  marxismo e  afins(Hegel,Filosofia,Politica),mas aqui estou de  volta  para continuar  o  artigo  anterior.
Olhando  o diagrama acima  nós  vemos  que recolocado  num  lugar  melhor,transcendente,o  marxismo  e  o materialismo  histórico podem  ser  mantidos,nos  seus  devidos  lugares,para contribuir ,com sua experiência  negativa e  positiva,para  o  movimento  social  do  futuro,que  começa  no  presente.
Se  admitirmos  as  idéias  como  parte  da  experiência(material)humana,muitas  mediações  interessantes  põem  fazer  parte  de  novos  métodos  de  compreensão da  consciência  humana e  social.
Nós  vemos acima:ideologia,como  consciência  falsa  e verdadeira,uma  discussão  importantíssima,inclusive com reflexos  na  compreensão  moderna o papel  da religião;a  pseudoconcreticidade,um  termo  que eu  achei  num  filósofo  tcheco  muito bom,Karel  Kosik ,que  a  denomina  como a experiência  espiritual(empiria)que  cada  homem  carrega  consigo a  vida  toda;a  imaginação,que pode  nos  ajudar a  compreender um Feuerbach,que  dizia  ser a  religião  uma  projeção  imaginativa  do  homem,da  subjetividade;também a  imaginação deve  recolocar o marxismo  numa  posição  melhor para  entender a arte,para  além da  sociologia;discurso,sentido,outras  mediações  serão  acrescentadas e  analisadas  dentro deste  propósito  d  ver como  o   marxismo  pode  continuar.








quarta-feira, 8 de julho de 2015

A salvação/continuidade do marxismo: heterodoxia



Assim sendo existe  um relação   dialética entre  conteúdo  e  forma.
Uma  condiciona a  outra e  vice-versa ,numa versão da  aufhebung, superação/assimilação.A  forma expressa  e determina  o  conteúdo e este condiciona a forma.
Pode se dizer  que a  liberdade  é  imanente ao  homem,mas  que  ela    é obtida  modificando as  relações  sociais.O  critério de  imanência guarda  uma  discrepância  em face  do  pensamento  de  Marx que   queria  certamente evitar  que a  liberdade  pudesse  ser  um  conquista individual legitima .A  imanência  não pode  ser  um  padrão  automático de  caracterização  da  humanidade, a    qual  tomando  consciência da  exploração se  insurgiria contra a  opressão,isto  porque Marx  fala  da luta ,da  reunião  dos  trabalhadores   e  subjaz  a  isto  uma  necessidade de comunicação  entre os  atores  políticos para  realizar esta  libertação.Comunicação é  transcendência.
Aqui ele diverge  firmemente   dos  liberais. Contudo  tanto  focar  o  problema da  liberdade no  individuo quanto  na  coletividade induz  à sua  perda,ora  no fascismo individulista,ora  no  coletivismo ,de esquerda,ambos  totalitários.
É  assim    porque  Marx  opunha  liberdade  ao Estado.
Falava em  formas de consciência,mas  não  admitia  o  lado público do  Estado como  medida possível da liberdade. A  revolução  libertava  os homens  do Estado,não  havendo composição  entre  os  dois.A  questão da cidadania,  invenção burguesa,  era  incompatível  ou inexistente  dentro  deste  caminho  revolucionário de libertação.
Para  a  burguesia  as diferenças de classes  eram  naturais,mas a  cidadania,moderna,podia  ser compartilhada.O  projeto  burguês era  ,em  princípio,para todos.
Como    disse em artigo  anterior,em  função desta  pura oposição  que  Marx  faz e  muito  embora  tendo um pezinho em  Aristóteles,não  distinguiu a  liberdade  individual  dos  cidadãos,da  liberdade no  corpo  politico,criação dos  liberais(Benjamin  Constant)
Quando  Edmund  Burke  diz "A  liberdade é  indivisível" está se referindo ao  fato de  que o atentado à  liberdade de  um cidadão  atinge a de  outros.Mas  no  plano individual expressar  em vida as suas possibilidades  é  liberdade  autêntica(o  cidadão  pode  ter  uma  vida  de  classe,simples,e  se sentir  livre) e legítima, mesmo  dentro de um regime  de exploração. A exploração  não reduz  o homem a  ela,pois  ele a transcende  no seu  lebensvelt,reprodução  simbólica ,discurso,vida  afetiva e assim sucessivamente.
As ações   pelas  quais  os  homes  constroem  uma  solidariedade, inclusive  contra exploração não   são só  materiais  strictu  sensu,mas espirituais  e transcendentes.
Há uma  dialética   comunicativa ,no sentido de  que o  diálogo da cidadania   é possível.
No antagonismo  democrático, desconhecido  pelo revolucionário  Marx(e  em geral por  todos os  revolucionários)  o  pensar diferente  do outro caracteriza este diálogo.  Um  cidadão A que  se  relaciona com  B= democracia,cidadania .A síntese   é  não    democracia e  cidadania,mas  também superação da exploração, a partir  das  mediações  sociais concretas.
A  utopia  está  no  movimento,  a  utopia  é  de  tempo,não de lugar.
Então a  dicotomia Lassalle /Marx anuncia  em  termos  práticos o  que sabemos  hoje  com as derrotas  do  marxismo  ortodoxo:que a   história  não   é uma  lógica  pré-dada  no  seu  movimento,obedecendo a  um propósito  evolucionista  material,mas é  consequencial  ,se fazendo no processo e  os  liames  de  solidariedade não são  só estabelecidos  por  relações materiais,mas espirituais, o  que  Marx não  leva em  consideração .Quero  dizer a   forma das  relações  sociais,as  formas  estatais públicas(cidadania).jurídicas jogam um  papel legitimo na  transformação da  sociedade e  não  como  um  conceito  burguês  justificador(ideologia)da exploração.  As suas  relações  de publicidade ,as  normas(jurídicas escritas ou   não)pertencem à humanidade   como algo   imanente   e não  substituível pela  vontade  do  revolucionário(ele    é  livre?).O  direito,o certo   e  o  errado  fazem parte da utopia.Os  chineses  hoje falam em um sociedade socialista  baseada  no   direito,o  que  falarei em  próximo  artigo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O prefácio de 1859 II(ou 1857 não sei)



Analisando  o texto  original  nós  vemos  que realmente  há uma  precedência  do  mundo real  sobre  a consciência. Contudo, no desenvolvimento  do  processo histórico o  ato em  si de  identificar  esta  precedência já guarda  autonomia  frente à objetividade.
No  ser  social  está a consciência .
Uma das  frases lá citadas  por  colocar  esta  precedência é  esta:
“Do mesmo modo que não se julga o que um indivíduo é pelo que ele imagina de si próprio, tão-pouco se pode julgar uma tal época de revolucionamento a partir da sua consciência, mas se tem, isso sim, de explicar esta consciência a partir das contradições da vida material, do conflito existente entre forças produtivas e relações de produção sociais.

Mas  este trecho  revela que  Marx  ainda   é de  antes  da  sociedade   da produção cultural
e  de Freud,porque  ele  parte do  pressuposto  de que o  individuo   não se  define  por  si  mesmo.Assim  como o ser  não  se  define  por  sua  auto-imagem o  ser    se define  por suas  relações  sociais.O  ser  dotado de  consciência,no  entanto  guarda  sim autonomia,pois  ele não  é    objeto da  ciência  social  mas  ser  de sentido,subjetividade.
Por  isso  digo  que apesar de  Marx   é  possível  construir um  dialética entre o ser  social  e  o ser,incluindo  este  sentido,estes  discursos,todos  os  meios  de expressão  da  subjetividade,todas  as  transcendências ,que  Marx  não  teorizou.
Não podia,talvez,teorizar  ,mas  este  fato  prejudicou a  sua  entrada  no  século XX.
Depois  de  Freud,de  Saussure  é  praticamente impossível  não trabalhar com  a autonomia  do sujeito  e  não ver  as  limitações de  Marx , principalmente  neste  prefácio.
É  lógico que  as  relações sociais  formam o  sujeito mas  este  adquire  mais e  mais  autonomia e passa a  ser  um  problema  filosófico(e de  outras  naturezas progressivamente)em  si  mesmo.
O sujeito  não  conhece a  si  mesmo,pois está no  movimento,mas  é possível construir  uma  auto-imagem autêntica,dir-se-ia verdadeira,no sentido  de  que expressa  algo  real  para  ele.
A auto  compreensão do  sujeito por sua  libertação  não se  dá nas  relações sociais  somente,mas  nelas e  nele  mesmo,porque  sem  ele não  é  possível.As relações sociais são meio,ele é finalidade.
O  problema é quando  o  sujeito  não  está livre nas  relações sociais,como  dar  autenticidade  a uma existência de  escravo?De explorado,na sociedade capitalista?
Para  Marx a  existência do escravo não  é autêntica,impondo  dialeticamente(por sua tomada  de  consciência)sua  libertação.
Segundo  ele esta  mudança    ocorre quando forma e  o  conteúdo de  um  sociedade entram em  contradição (de  novo  Marx  é  um  aristotélico).É  neste  contexto que  o escravo se  torna  livre.No caso  do comunismo,superando definitivamente a forma da  exploração ,o ser  humano  se  integra  em  si  mesmo,se realiza.
Então  toda  existência no capitalismo e  em todas as  formas de  exploração conhecidas  na história  não  há autenticidade.As relações  de amor, arte, política ,nada tem  valor(sentido)?
Esta  incompreensão de  Marx   nos  força  a dizer novamente que é  necessário ,contra  ele, colocar  novas  categorias  para preservar o seu  pensamento  ,o  materialismo histórico,dizendo  que é na autenticidade da  forma,na   autonomia da forma ,  que  se pode  fazer  isto,quer dizer,incluir  e legitimar estas manifestações subjetivas,para ele,formas de consciência  social.
É  lógico  que a visão  do individuo é  limitada.É   lógico  que o sujeito, muitas  vezes ,acha que  sua  visão  é  que explica  o  mundo,mas  é o mundo que  condiciona  o  seu método,os seus  valores  e atitudes e  isto  distorce  sua  visão,mas  nem nas  sua relações  consigo próprio  e de  si  com  o  mundo,com a objetividade,se há de  inquinar de absoluta  ilegitimidade a contribuição do  conhecimento subjetivo, a não  ser  quando se mostra a  sua  total  inadequação,a inadequação entre o sujeito e  o objeto.Isto porquê a subjetividade não tem como abarcar  o  conhecimento  objetivo,in totum.Ele  não restitui a realidade,pela linguagem,por  menor que  seja o seu objeto de investigação.
Dizer que ,da  mesma  forma que  não é  a auto imagem do  sujeito que  define  o mundo,  não  é  o  ser que  define  as  relações  sociais,peca  por  confundir  dois  níveis  de  compreensão,a auto- consciência   da subjetividade,sobre si  mesma , e desta  na relação  com  o  mundo.
E  isto  acontece  porque  Marx   não  tinha  elementos  para  entender que  a subjetividade  é  uma realidade possível de   conhecimento de per  si.
Com a  troca  simbólica da  sociologia,com Saussure e a  linguagem,  e Freud ,é  possível  uma  subjetividade autônoma ,influenciada  pelas  relações  sociais mas  não só  mera  expressão delas.
Não   é  superestrutura mera expressão da  infraestratura .Não é  mero reflexo como